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Nota da Igreja do Caminho sobre a Pandemia da COVID-19

 

Parece que estamos vivendo um certo tipo de pesadelo. Parte disso decorre do fato de que estamos acostumados a ter, aparentemente, muita coisa sob controle. E, de repente, surge um vírus, invisível, que parece ter poder para ameaçar o nosso bem-estar e, quem sabe, até “antecipar” a nossa morte, ou daqueles a quem amamos. Bom, aqui é oportuno lembrar o Salmo 104: “todos esperam de ti que lhes dês de comer a seu tempo. Se lhes dás, eles o recolhem; se abres a mão, eles se fartam de bens. Se ocultas o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao seu pó. Envias o teu Espírito, eles são criados, e, assim, renovas a face da terra. A glória do SENHOR seja para sempre” (27-31). Sem querer ser apocalíptico, a pandemia do coronavírus é, sim, uma questão teológica, porque nos faz olhar para o céu.

 

Ao mesmo tempo, como é difícil pensar, após a recomendação das autoridades sanitárias e governamentais, na possibilidade de fechamento das igrejas cristãs em meio a toda essa crise humanitária! Afinal, não é a igreja aquele organismo, templo do Deus vivo, que subsiste a todo tipo de crise, a quem Jesus prometeu edificar e fazer prevalecer contra as portas do inferno? Não é a igreja o corpo de Cristo aqui na terra, ou seja, os pés, as mãos, os braços do Cristo que, então, podem abraçar as almas famintas em tempos de dificuldade, por causa de uma esperança que se tem de uma pátria superior, celestial? Bom, essa igreja, organismo, não pode ser, e não será, fechada, de jeito algum. Aliás, ela está por todo lado, representada nas pedras vivas do novo templo de Deus entre os seres humanos, na figura de cada cristão na família, na vizinhança, no trabalho, no exercício de sua cidadania. Essa igreja simplesmente não pode ser fechada, e suas portas precisam estar bem abertas!

 

Entretanto, essa mesma igreja, organismo, também se reúne coletivamente em templos físicos, ou seja, em locais próprios ou alugados, para o fim de cultuar a Deus conjuntamente. E é aqui que a situação torna-se delicada, em razão do perigo de contágio que esses eventos necessariamente oferecem. Nesse caso, ainda que se reconheça que o fechamento dos templos físicos é um tema sensível para todos aqueles que por uma longa tradição vêm cultuando a Deus como povo dele, não parece razoável insistir nesse ajuntamento, pelo menos por enquanto. Mas eu não iria tão longe a ponto de concordar com o fechamento absoluto de cada templo de modo a inviabilizar o socorro que eventualmente nesses lugares fosse buscado. Ou seja, a igreja é igreja para todos os momentos, bons e maus, mais fáceis ou mais difíceis, seguros ou não, novamente, porque sua pátria está nos céus, e sua preocupação última vai para além de tudo aquilo que esse mundo pode oferecer.

 

Nós, da Igreja do Caminho, como estamos utilizando as dependências do Colégio Batista, e considerando que a Escola suspendeu suas atividades provisoriamente em razão das determinações governamentais, até que a proliferação do vírus venha a ser futuramente reavaliada, também suspendemos nossas atividades cúlticas naquele espaço, por enquanto, e ficaremos no aguardo de novas manifestações das autoridades competentes. Ao mesmo tempo, orientamos nossos irmãos a que adotem todo o cuidado, tão amplamente recomendado pelas autoridades competentes, o que inclui até mesmo o permanecer em casa, claro que se possível, para o fim de não contribuir para a proliferação do coronavírus. Além disso, que se tenha todo o cuidado com a higienização de mãos, braços e rosto, mantendo-se uma distância segura dos outros, de preferência 2 metros, evitando-se toques, abraços e beijos. Por fim, nunca é demais lembrarmos que Deus é bom e que ele fez “o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra” (At 17.24). Também sabemos que Ele “mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais... pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (v. 25, 28). Estejamos orando pelo nosso país e pelo mundo. Oremos também pelos nossos irmãos em Cristo. E que Deus possa ser glorificado em tudo e todos.

 

Fiquem com Deus!

 

Pr. Christian Lo Iacono.

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